Liderança e estrutura organizacional

“As regras do jogo mudaram nos últimos anos e o perfil dos executivos e conselheiros precisam se adaptar à nova realidade” afirma José Helio Contador Filho, por ocasião do programa de formação de conselheiros consultivos, PFCC.

Cada vez mais a atuação de executivos e de conselheiros está ligada além dos conhecimentos de negócios e estratégias, a atuação nas relações sociais, na gestão de pessoas, no comportamento humano e sobretudo na educação de lideranças e executivos, incluindo especialmente o CEO.

O Valor Econômico em levantamento realizado em 2023 em relação a prioridades para gestão em 2023, confirma esta tendência trazendo em primeiro lugar com mais de 50% das respostas, a capacitação da liderança:

Prioridades na Gestão de pessoas em 2023

 

Alie-se a estes desafios o fato de cada pessoa ser única, insubstituível e ter uma missão especial que somente ela poderá exercer neste mundo[i], torna-se impossível criar uma fórmula mágica capaz de atender a todos. O cérebro humano que possui mais de 86 milhões de neurônios e pode criar mais de 1 milhão de novas conexões a cada segundo na infância, subdividido segundo alguns autores em três partes, o cérebro triuno, tem a fantástica capacidade de “nos enganar”, de mostrar uma imagem diferente da realidade, tem a capacidade de unir a genética as experiências, percepções, e o lado transcendental para criar a realidade individual.

Para o líder moderno o cérebro deixa de ser somente a faculdade da razão e passa a demostrar que o ser humano é um ser integral, composto sim pela razão, mas que se soma a emoção, ao físico e ao sobrenatural[ii]. Um ser humano integral precisa ser atendido nestas quatro dimensões, e aqui está o grande desafio de qualquer líder!

O ser humano é por natureza bom e busca a sua perpetuação. Ser humano é buscar constantemente a realização, que acabará por trazer a felicidade, mas esta realização somente será completa se passar pelos filtros da verdade e do bem,  que levará o ser humano a transcender, a compreender seu lugar no macrocosmos, que o transportará para eternidade.

A pessoa humana olhada nas suas quatro dimensões responderá a qualquer desafio que seja submetido, poderá alcançar qualquer meta a ser definida, desde que a mesma não venha a ferir nenhuma das suas dimensões, nenhuma das suas verdades, não venha a ferir o bem!

O desequilíbrio entre a emoção, razão, físico e sobrenatural, transforma o ser humano em uma sub-classe, em algo menor, em um ser que não corresponde a sua totalidade e consequentemente a sua missão neste mundo.  O desvio da busca equilibrada da realização, felicidade, verdade,  bem e eternidade, não poderá completar o ser humano e não se tornará agente transformador do mundo, da sociedade e do mundo empresarial.

Corroborando com o conceito acima, o escritor inglês Willian Pena afirma: “o que é errado é errado, mesmo que todos estejam fazendo. Assim como o certo é certo, mesmo que ninguém esteja fazendo”.  Acima das boas práticas de gestão, está a figura do líder, do sócio, do conselheiro, do gestor, afinal “não há nada mais contagiante que o exemplo” já afirmava François La Rochefoucauld.

Segundo a universidade de Harvard, que tem em seu logotipo a palavra “VERITAS”, um modelo de liderança empresarial segue os seguintes fatores:

  • Integridade
  • Criatividade
  • Visão
  • Julgamento
  • Comunicação
  • Conhecimento
  • Honestidade (transparência)
  • Paixão
  • Carisma
  • Humildade
  • Empatia (Inteligência Emocional)

 

Um dos maiores exemplos de liderança que podemos encontrar, que se atentava a todas as dimensões humanas é a figura de Jesus, exemplificado pela imagem do líder bom pastor. O pastor conhece profundamente suas ovelhas e não se furta a buscar a ovelha que se desvia, não se cansa de corrigir a ovelha que não “anda na linha” a ponto de quebrar sua perna ao mesmo tempo que a carrega no colo.

Como você se comporta como líder no ambiente do trabalho? Já percebeu que novos tempos chegaram e a liderança técnica não mais responde ao anseio das pessoas e das empresas?  Você olha pelas quatro dimensões a figura do seu liderado? Já percebeu que não existe mais espaço para a lei de Gerson, para o jeitinho brasileiro?

O líder atual precisa ter um interesse genuíno e real por seus liderados, por seus anseios, suas verdades, seus planos de realização, sua transcendência, sua busca pelo alto, caso contrário se ficar somente no plano lógico, continuará sendo um CHEFE!

 

Alexandre Andre Rossi

[i] Pedagogia do Ideal, Kentenich, José

[ii] Diálogo em quatro dimensões, Toaldo, Olindo e Marilene

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