Não ser vendedor

“Sua empresa pode colocar dinheiro no caixa, através de recursos dos sócios, empréstimos de terceiros ou de vendas. Eu asseguro, a última forma é a mais barata”. 

 

 

Pense um pouquinho, quantos vendedores já impactaram sua vida?

Muitos ainda podem ter uma visão negativa da profissão de vendedor, associando-os a estereótipos como charlatões, aproveitadores, insistentes, chatos, desonestos, ou ainda em egoístas que querem empurrar algo a qualquer custo, sem entender as necessidades do cliente.

O motivo desse pensamento pode ser o mais variado possível, mas normalmente está do “lado de dentro”, seja por  uma experiência negativa já passada ao comprar algo, por força da cultura local, por imaginar que todo vendedor quer somente bater meta, ou ainda por imaginar “já que não conseguiu outro profissão foi ser vendedor”.

No entanto, é importante lembrar que essa visão não reflete a realidade. Existe uma grande maioria de vendedores dedicados, éticos e que realmente estão preocupados em atender as necessidades dos clientes, estão ávidos por resolverem dores do mercado, emprenhados em entregar uma experiência positiva de compra aos clientes. E é sobre esse modelo que devemos convergir nossos olhares. Afinal de contas o que é uma empresa além de um grupo de pessoas empenhadas em resolver situações, problemas ou dores, de outras pessoas?

Vender é comunicar! Comunicar é menos sobre falar e mais sobre saber ouvir! Somente ouvindo pode-se entender a necessidade do outro e dessa forma estar apto para ajudar… seja criando produtos e serviços, seja desenvolvendo em conjunto alternativas, seja melhorando processos através de eficiência, ou simplesmente abrindo a mente para inovação.

Vale abrir uma pausa no tema para uma breve explicação sobre inovação. Uma inovação não é algo de outro mundo, fora da “casinha” ou extraordinário, é algo prático como o simples fato de mudar a forma de executar algo. Aplicar uma nova ideia em soluções, produtos, serviços ou processos é inovação. Reduzir custos, aumentar receitas, melhorar produtividade, melhorar a jornada do cliente, são inovações!

Voltando, o papel dos vendedores é fundamental para muitas empresas. Eles são responsáveis por impulsionar as vendas, construir relacionamentos com os clientes, representar a marca de forma eficaz, compreender as demandas do mercado, abrir novas oportunidades e mercados geográficos, ouvir reclamações e por fim trazer recursos financeiros para empresa… não seriam essas atividades estratégicas? Sendo estratégicas não deveriam ser de qualquer empreendedor?

Um empreendedor é por natureza alguém inconformado, seja com a forma de fazer, seja com os produtos, com o atendimento, a falta de conhecimento, seja com conceitos provisórios ou levianos, ou com o que for… mas é um inconformado!

Um empreendedor é alguém envolvido na vida de outras vidas, mesmo que se considere um tímido, ou que não perceba ainda seu “lugar ao sol”. É um vendedor de sonhos, primeiramente para si mesmo através de uma ideia que muitos não acreditam e depois para outros como investidores, sócios, engenheiros, economistas, inventores, artistas… é um construtor de pontes unindo pessoas, traduzindo ideias e pensamentos… Um empreendedor é um distribuidor de riqueza, seja material ou imaterial, que através da sua inquietude busca melhorar o mundo!

Vamos concordar, foco no cliente, habilidade de comunicação, resiliência, perseverança, habilidade de negociação, visão estratégica, visão de longo prazo, foco na eficácia dos resultados, administração de custos, não são virtudes coexistentes em vendedores e empreendedores?

Ninguém melhor que o empreendedor é capaz de transmitir o seu sonho, a sua forma de distribuir riqueza, a sua forma de ver o mundo, do que ele mesmo! Todo empreendedor é um vendedor e o deve ser em tempo integral!

Minha esposa muitas vezes me pergunta “não dá para parar de pensar em vendas um pouquinho?” Eu respondo “dá para parar de pensar em um mundo melhor um pouquinho, em fazer dessa terra um pedacinho do céu?” Para mim vender é empreender e empreender é vender!

Vender na forma mais ética e transformacional possível. Construindo vínculos duradouros, relacionamentos de longo prazo (mesmo que provisórios), resolvendo situações, melhorando a vida das pessoas, gerando conforto e bem estar, melhorando o convívio social, apoiando as famílias, permitindo sobrar tempo para o ser humano ser um ser humano integral, olhando para suas quatro dimensões.

Mudar a visão de que não vendo para você, vendo por você   derruba por terra qualquer preconceito e visão negativa sobre os vendedores e traz ao empreendedor um forte mote de como atuar sempre em busca do bem. É dizer não a cultura mecanicista, que busca separar… e sim a cultura do encontro que edifica pontes.

Quando a correta cultura vendedora é assumida por um empreendedor a aceleração acontece, as metas se tornam pequenas, o crescimento vem, a vida se torna equilibrada e o céu passa a ser a busca de muitos.

Vamos juntos… como empreendedores e vendedores vamos impactar positivamente a vida das pessoas!