Inovação e Transformação Digital

A tecnologia precisa sair do palco e gerar inovação no dia a dia das pessoas, mas no ritmo certo.

Andre Campos[i], instrutor no PFCC da Board Academy, apresenta o conceito que “inovação é diferente de invenção, uma vez que inventar é criar algo novo, nunca visto antes, 100% original, enquanto inovar é transformar algo existente em resultados concretos”.

Transformar formas de executar algo é uma inovação. Aplicar uma nova ideia em soluções, produtos, serviços ou processos é inovação. Reduzir custos, aumentar receitas, melhorar produtividade, melhorar a jornada do cliente, são inovações! Uma inovação não é algo de outro mundo, fora da “casinha” ou extraordinário, é algo prático, muitas vezes simples, do dia a dia, que se passa muitas vezes sem perceber.

Podemos classificar a inovação em três níveis:

  1. Inovação Radical – Muda o cenário de uma marca ou empresa (iphone).
  2. Inovação Incremental – Adiciona novidades sem uma mudança muito brusca (lâmina de barbear Gillette).
  3. Inovação Disruptiva – Transformação tão radical que torna obsoleto o modo ou o produto anterior (Airbnb, rede hoteleira sem imóveis).

Diferentemente do que se possa imaginar inovação não é fruto do acaso, de uma mente brilhante que fica o tempo todo imaginando coisas novas, formas mirabolantes… inovação é processo contínuo, é acompanhamento de indicadores, é laboratório de ideias práticas do dia a dia, é fazer o ordinário de forma extraordinária, é a atenção aos detalhes, é estar presente de corpo e alma nos processos. Inovação deve ser um estado de espírito em tempo permanente!

O Blog AEVO[ii] apresenta um diagrama do que considera gestão da inovação, conforme abaixo:

Um dos maiores futuristas dos fenômenos sociais, Alvin Toffler, apresentou sua visão chamada de terceira onda de mudanças na sociedade já em 1960, que passou a ser conhecida como a “era da informação” a “revolução do conhecimento”. Segundo o autor essa onda teria grande força até final dos anos 2010, onde traria como consequência: a aceleração no ritmo de vida das pessoas, incluindo a sobrecarga de informações. Me parece que novamente o autor acertou… hoje penso que não mais temos dificuldades em ter informação, mas sim em ESCOLHER a informação, e isto tem deixado o mundo doente! Síndromes atras de síndromes vem assolando a humanidade que se desumaniza e passa a aceitar como naturais situações que oprimem, ferem, rebaixam e até humilham o ser humano. Em um mundo de inovações tem-se perdido o essencial: a pessoa humana!

“…tornou-se evidente que o choque do futuro não é um perigo potencial distante e, sim, uma doença autêntica, da qual já padece um número cada vez maior de pessoas. Este estado PSICOBIOLÓGICO pode ser descrito em termos médicos e psiquiátricos: é a doença da mudança”, afirma Toffler[iii].

A confusão entre inovação e tecnologia tem deixado de lado o tempo de aprendizado de uma pessoa, tem ditado um ritmo muito acelerado, que até pode ser acompanhado pelos mais jovens, mas faz sofrer os mais vividos. Não se trata de retroceder, jamais! Trata-se de encontrar o ritmo correto entre tecnologia e pessoas, em colocar a tecnologia a serviço das pessoas e não as escravizar. A tecnologia por si só não tem serventia, a tecnologia só faz sentido se for para melhorar de fato a vida das pessoas respeitando sobretudo o bem mais valioso do ser humano, a sua liberdade!

Somente a tecnologia colocada a serviço do ser humano é libertadora e pode gerar inovação. Penso que nestes tempos moderníssimos o equilíbrio virá das vinculações profundas. Vinculação a mim mesmo, vinculação a pessoas, vinculação a ideias, vinculação a lugares, vinculação ao trabalho, vinculação a Deus.

Estar vinculado a algo proporcionará o caminho seguro para a inovação, tecnológica ou não, radical ou incremental, rápida ou devagar, grande ou no detalhe. Estar vinculado será a base de sustentação para as mudanças necessárias em todas as áreas da sociedade, permitindo que o ser humano permaneça tão criativo e inventivo que a inovação seja um estado permanente de espírito para todas as gerações, cada uma no seu ritmo, cada uma de forma sã, evitando radicalmente a escalada atual das “síndromes já detectadas ou ainda a serem mapeadas, síndromes dos tempos moderníssimos”.

Você está vinculado a princípios fundamentais que possibilitarão inovar sem se perder como pessoa humana?

 

Alexandre Andre Rossi

 

Fonte:

[i] https://www.linkedin.com/in/andrecampos/

[ii] www.aevo.com.br

[iii] Alvin Toffler, revista HORIZON, artigo chamado “O FUTURO COMO MODO DE VIDA