Segundo a 6ª edição do CMPGC[i] Governança corporativa é um sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelos quais as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, para seus sócios e para a sociedade em geral. Esse sistema baliza a atuação dos agentes de governança e demais indivíduos de uma organização na busca pelo equilíbrio entre os interesses de todas as partes, contribuindo positivamente para a sociedade e para o meio ambiente.
Mas antes de regras, estruturas e processos estão os princípios, e isso tem a ver com o entendimento da verdade de cada indivíduo, com os valores que cada um assumiu para sua vida, ou seja, sua relação é diretamente proporcional a ética, derivada do senso de coletividade de busca do bem comum. “Existirão momentos de vacilação total e somente uma coisa poderá nos valer: nossos princípios[ii] !”
Quando os princípios e valores não são seguidos ou são deixados de lado tem-se uma “não conformidade”, ou uma falha de “compliance”. Cuidar para que os princípios de valores de uma organização, sejam respeitados não se trata de tarefa de um departamento, de um time de justiceiros que ficam procurando erros para apontar. Estar em conformidade ou “compliance” trata-se de uma cultura onde cada indivíduo compreende claramente como o seu trabalho e as suas atitudes podem afetar a reputação dos demais colaboradores, dos setores e por fim o resultado geral e financeiro da empresa.
O professor Eduardo Gomes[iii], em sua aula para a turma doze do PFCC[iv] afirma que a ética como conjunto de princípios e valores é necessária sempre, em qualquer tamanho de empresa, de uma MEI a uma gigante Corporativa, e isto proporcionará o equilíbrio entre o interesse das partes.
Quanto menor a empresa, antes se deve escrever um código de ética a ser seguido, de forma que o propósito para o qual a empresa surgiu possa ser divulgado e comunicado amplamente. Quanto antes uma empresa consegue transmitir a todos os que se somam a ela, os princípios sobre os quais foi construída e pensada, antes se desenvolve a cultura de conformidade, a “sua” governança corporativa.
Em tempos onde o conhecimento passou a ser totalmente relativo, Farias Souza[v] afirma de forma muito assertiva que “todo conhecimento é provisório e incompleto”, sendo assim somente homens com personalidades firmes[vi], livres e a serviço do bem comum poderão conduzir empresas por um caminho seguro, duradouro e perene, e este caminho tem nome: Governança!
Não se trata de cumprir um conjunto de regras cegas a todo custo, mas de compreender a base de pensamento sobre a qual está sendo construída a personalidade jurídica. Não se trata de cumprir por medo de consequências, mas sim por entender que é o certo a ser feito, que assim se contribui para a coletividade e para o bem comum, que assim se constrói um ambiente social mais estável, mas próspero e mais humanizado.
Cabe a cada conselheiro e a cada conselho consultivo fomentar a ética empresarial através de melhores práticas em todos os níveis empresariais, difundir não somente as regras, mas os porquês das regras, os porquês de se optar por cada uma das condutas. Cabe aos conselheiros criar uma atmosfera de estado permanente de aderência ao código de ética estabelecido, e sobretudo cabe a cada conselheiro somente aceitar o cargo, se estiver totalmente de acordo com este código!
Um código de ética existente apenas no papel, ou uma certificação para ficar pendurada na parede, jamais poderá ser aceito por um conselheiro. Casos em que o conselheiro agindo de forma firme e independente e não medindo esforços para que a governança seja respeitada e cumprida, se não conseguir o respaldo e apoio necessário da alta administração e dos líderes em geral, deve se levantar… agradecer… e deixar a cadeira para outra pessoa… e com a cabeça erguida, a consciência limpa e o sentimento de dever cumprido, seguir vivendo seus princípios de forma livre por outro caminho!
Alexandre Andre Rossi
Turma PFCC12
[i] Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa, de 01/08/2023, do IBGC.
[ii] Kentenich, Josef. Documentos de Schoenstatt, p17.
[iii] Conselheiro de Administração certificado pelo IBGC e pela FDC.
[iv] Programa de Formação e Certificação de Conselheiros, da Board Academy
[v] Fundador e CEO da Board Academy
[vi] Kentenich, Josef. Documento de pré fundação de Schoenstatt.
