Dizem que comunicar é uma das artes mais difíceis de serem realizadas, pois a comunicação não depende só de quem comunica, mas também de quem recebe. Falar para os outros é a parte fácil, mas quem garante que o outro recebeu a informação que era esperada? Existem vários macetes para ajudar o comunicador, como: faça contato visual com o público, concentre-se na fala do outro, cuide com seus gestos, esteja atento à linguagem corporal… Mas o grande problema é: como integrar todas essas técnicas, ou ainda, seriam elas suficientes? O que eu faço com tudo isso?
Recebemos uma série de instruções e formas de atuação, porém elas dependem de uma base mínima para serem efetivas . Para buscar uma comunicação assertiva, na conversa particular ou mesmo em pequenos grupos, conhecer um pouco da minha forma de ser e a do outro, da maneira de agir, faz grande diferença.
Então vamos partir do básico! Conforme a antropologia personalista , pode-se dizer que cada ser humano possui quatro dimensões:
- Físico – contempla o corpo e suas relações instintivas
- Racional – a parte intelectual e cognitiva
- Emocional – a consciência e as emoções
- Transcendental – também chamado de espiritual em algumas fontes, a capacidade de abstrair e a relação com Deus, reflexão e meditação
Cada pessoa tem dentro de si todas essas dimensões, vai crescendo e desenvolvendo, principalmente fisicamente, pois este é um processo natural. Porém, é importante que todas dimensões possam ser desenvolvidas . Aqui podemos citar exemplos de situações em que percebemos que uma dimensão se ressalta em relação a outra, como por exemplo: a pessoa que depois de muito desgaste físico ou fome, se irrita facilmente com outros a sua volta. A pessoa que submetida a grande estresse, sente dores musculares fortes e constante dor de cabeça. Ou mesmo aqueles que buscam incessantemente o conhecimento e que abrem mão do convívio com pessoas próximas sob essa justificativa. Por isso fica a primeira dica, observe como você anda e, se por acaso, não está muito mais focado numa dimensão que nas outras.
Nesse caminho de autoconhecimento, cabe também trazermos o conceito de temperamentos. Mas o que seriam temperamentos? Numa simples explicação, cada pessoa quando constituída traz dentro de si uma combinação de determinadas características denominadas temperamentos, tendo normalmente um ou dois que se sobressaem.Os temperamentos somados à personalidade e história de vida, refletem diretamente em nosso jeito de pensar e agir.
Enquanto uma pessoa introspectiva e com perfil metódico e analítico, tende a ser mais reservada e observar as pessoas com certa distância, uma pessoa extrovertida e que gosta de se relacionar, prefere ambientes mais agitados e gosta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E não há forma certa ou errada de ser. Por isso é importante citar aqui que nós não somos definidos pelos nossos temperamentos, mas os reconhecendo podemos aprimorar os pontos fortes e trabalhar mais naqueles que temos dificuldades.
Uma forma de identificar nossos temperamentos é através da nossa própria observação e aplicação de adjetivos nos quais podem melhor refletir nossa forma de agir. Quando fazemos testes para identificação de temperamentos, muitos deles o fazem baseados justamente nessesadjetivos ou no apontamento de decisões que seriam tomadas em diversas situações. Aqui, de maneira breve, vamos conhecer um pouco mais sobre os 4 temperamentos provenientes de Galeno de Pérgamo, que se inspirou nos estudos sobre a medicina de Hipócrates.
- Sanguíneo – comumente alegres são expansivos e muito ativos, gostam de se relacionar e de atividades intensas
- Colérico – também extrovertido, tem facilidade em liderar e energia para superar desafios em busca de resultados
- Melancólico – normalmente mais reservado, possui grande perfil analítico e está atento ao que ocorre a sua volta
- Fleumático – possui perfil mais tranquilo e tende a moderação, tem na calma a sua força e capacidade de evitar atitudes intempestivas
Há vários testes online que podem ajudar na identificação, mas recomendo ter uma orientação mínima para fazer um bom uso desse tipo de ferramenta.
De posse de informações sobre o ser humano integral e temperamentos, conseguimos trabalhar muito no nosso desenvolvimento pessoal, mas temos também um grande ganho indireto, que é saber que se eu sou uma composição de várias características, as outras pessoas também o são! Claro que isso soa como óbvio, mas no dia a dia não é! O comum é nos comunicamos com os outros do jeito que funciona para a gente, escolhemos formas e palavras que nos parecem mais adequados, mas quem disse que a forma do outro ser é parecida com a nossa?
Pois bem, tendo um conhecimento mínimo da forma de ser do outro, conseguimos começar a refinar o jeito de falar, o gestual a usar e até o ambiente a ser considerado. Por exemplo, se sou naturalmente expansivo e preciso ter uma conversa difícil com uma pessoa que sei que é mais reservada, preciso cuidar com o tom e volume da voz, o excesso de gestos, bem como escolher num ambiente agitado é um prato cheio para não ser bem entendido e, pior do que isso, posso causar o efeito oposto ao esperado.
Tendo conhecimento sobre fatores como temperamentos e as dimensões do ser humano, posso ajustar minha fala conforme a pessoa que está comigo. Claro que quando falamos para grandes públicos, é impossível fazer esse tipo de ajuste, mas convenhamos, a dificuldade do dia a dia está mais nos pequenos grupos, não? Então aqui reforço, se conheço a pessoa com quem vou conversar, consigo pensar antes na estratégia. Se não conheço, alguns minutos de observação podem fazer diferença. Lógico que sempre de maneira tranquila e discreta, pois não queremos deixar ninguém constrangido, não é mesmo? Espero que esse conteúdo possa ajudar a melhorar sua comunicação e autoconhecimento para ser melhor entendido e correspondido.
Ricardo Wazen
