Desde 2000 a Gallup vem monitorando métricas de engajamento de trabalhadores nos EUA e demostrou que em 2019 o percentual dos trabalhadores que estão altamente envolvidos, entusiasmados e comprometidos com o seu trabalho e local de trabalho, atingiu o recorde de 35%[i].
O estudo mais recente incluiu trabalhadores em 230 organizações, totalizando mais de 1,8 milhões de funcionários, em 49 indústrias e em 73 países diferentes.[ii] Este estudo trás em números o que já era esperado, equipes com elevado nível de engajamento: produzem resultados substancialmente melhores, tratam melhor os clientes e reduzem níveis de rotatividade (turnover).
Este monitoramento identificou ainda que o engajamento está ligado ao que, James Harter, responsável pela pesquisa, chamou de “cultura de alto desenvolvimento” onde as pessoas podem ver o seu impacto pessoal na organização. E aponta quatro temas comuns para criação desse ambiente empresarial:
- Essa cultura é iniciada pelo CEO e pelo conselho.
- Essa cultura educa os gestores sobre novas formas de gestão, abandonando a posição de “chefe”.
- A cultura de alto desenvolvimento pratica a comunicação em toda a empresa.
- A cultura de alto desenvolvimento responsabiliza os gestores.
Focando no terceiro item, busco inspiração na brilhante aula do Professor Daniel Medina[iii] por ocasião do PFCC12 – Programa de Formação e Certificação de Conselheiros, da Board Academy, onde trás pontos para desenvolvimento de uma comunicação assertiva.
Na grande maioria das empresas a comunicação interna é negligenciada ou delegada a um segundo plano, ficando sob a responsabilidade de um setor com outras atribuições, e quanto menor a empresa mais isso se intensifica. Medina apresenta um estudo da Trade Press Services, no qual 74% dos funcionários sentem que não tem informações suficientes sobre a empresa, e outra da IBM no qual 72% dos funcionários não sabem em detalhes a estratégia de empresa.
Enquanto equipes de marketing e publicidade se preocupam em comunicar externamente as características, vantagens e benefícios de produtos, investem grande parte do orçamento em criar a lembrança da marca e de “quem somos” na cabeça dos seus clientes e consumidores, buscam um posicionamento de mercadão…uma simples ligação com um funcionário não engajado pode por tudo a perder.
Resultados financeiros superiores, estão intimamente ligados ao engajamento das equipes e conforme apresenta o estudo da Gallup, a comunicação deve atingir TODA a empresa para que isso ocorra. Comunicar internamente de forma que todos possam compreender o que está sendo informado, é comunicar de forma genuína, transparente e clara. Quanto mais simples e ética for a forma de comunicar mais assertiva será.
Algumas dicas para facilitar a comunicação:
- Evite palavras estrangeiras, normalmente isso é uma barreira;
- Palavras simples ao invés de rebuscadas;
- Se estiver comunicando de forma verbal, pergunte o que a outra pessoa compreendeu;
- Escutar é parte importante de comunicar;
- Primeiro faça, comunique depois;
- A máxima que o exemplo vem de cima, ainda vale;
- Se não existe nenhum impedimento para que a informação seja conhecida, comunique;
- Inicie pensando: o que eu gostaria de saber?
Comunicar é a arte de contar histórias, e aqui temos um ponto fundamental, a letra “h” e não “e”. Narrar histórias verdadeiras, que de fato tenham ocorrido ou que se tenha a intenção genuína e certeza que se possa cumprir. Não se trata de narrativas inventadas para emocionar, iludir ou convencer, mas sim de comunicar a verdade criando pontos favoráveis a todos os envolvidos, sejam colaboradores internos, fornecedores, parceiros estratégicos, investidores, familiares, clientes e até mesmo concorrentes.
Se não contarmos as histórias que vivenciamos em nossas empresas, independente do seu tamanho, estamos permitindo que terceiros o façam com menos informações e com apenas lampejos de verdade. Histórias contadas por pessoas externas sem a plena compreensão do todo se tornam “estórias” e trazem consigo uma série de problemas que precisarão ser endereçados com empenho, tempo, quando não dinheiro, para minimizar e resgatar a reputação empresarial.
Marca é o que eu falo sobre mim, reputação é aquilo que os outros falam sobre mim ou sobre a empresa. Se a comunicação interna, em todos os níveis de colaboradores não for considerada como ponto estratégico e levada muito a sério por toda a liderança empresarial, tudo passará a ser secundário ou remediado e a sua reputação correrá sério risco de ser manchada.
Como afirma Farias Souza[iv]: “você está onde se coloca”, por isso vamos contar nossas próprias histórias?
Alexandre Andre Rossi
Turma PFCC12
[i] https://www.gallup.com/workplace/284180/factors-driving-record-high-employee-engagement.aspx
[ii] https://www.gallup.com/services/191558/q12-meta-analysis-ninth-edition-2016.aspx
[iii] Fundador da Prestige Consulting, ex-presidente da Hill+Knowlton Strategies no Brasil, Especializado em Reputação Corporativa pela Rotterdam School of Management.
[iv] Fundador e CEO da Board Academy
