Como tudo no mundo físico precisa de pelo menos três apoios para se tornar estável, um líder precisa gostar de pessoas, processos e metas. Todo executivo deveria ser um líder!
Um líder sem metas claras, é semelhante a uma folha seca lançada ao vento, não sabe onde vai parar. Ou ainda, se assemelha a Alice no País das Maravilhas, “eu não sei para onde quero ir… então qualquer caminho serve”[i], mas qualquer é o mesmo que nada! O professor Rodrigo Mariano[ii] no treinamento PFCC da Board Academy, cita William Deming: “não se gerencia o que não se mede, e não se mede o que não se define”. A meta é o objetivo que se almeja, é o alvo a ser atingido e “uma fez fixada é preciso olhar para lá, sempre para lá” [iii].
O líder precisa ter a visão clara de onde chegar. Precisa ter em mente que: tanto uma meta muito fácil como uma meta gigantesca… desmotivam! Desta forma o segredo passa a ser a decomposição da sua visão em pequenas partes que possam ser mensuráveis, atingíveis, porém elevadas.
Num ambiente empresarial pensar constantemente no que se deseja, não é ficar olhando para o futuro, mas trata-se de criar o futuro agora! Conselheiros proativos tem esse papel nas instituições, criar o futuro!
Mas apenas estabelecer metas pode levar a empresa por um caminho perigoso, por isso a importância dos processos.
Processo é uma palavra que se origina do latim procedere, que significa método, sistema, maneira de agir. Aqui entra a importância do líder ser apaixonado por processos. São neles que se estabelecem os princípios fundamentais a serem seguidos, é aqui que encontramos os conceitos de ética, de moral, de limites. Etimologicamente processo está relacionado com percurso, e significa “avançar” ou “caminhar para a frente”, mas não se pode avançar deixando rastros de destruição ou pendencias que venham a impactar o futuro empresarial.
É dever de um conselheiro proativo proteger, por isso em uma empresa que busca perenidade não se aplica o ditado “os fins justificam os meios”. Escândalos enormes de empresas de capital aberto, derrocada de empresas de capital fechado, ou mesmo de pequenas e médias empresas, acontecem em virtude da falta de cuidado com os meios, com os processos.
Com metas claras, elevadas e atingíveis; com processos transparentes, limpos, legais, éticos, morais e bem delimitados, uma companhia de qualquer tamanho está pronta para se desenvolver e se tornar perene. Mas então o que falta? O principal: as pessoas!
Um executivo, um líder, um gestor (explico a diferença entre líder e gestor em outro artigo), precisam confiar em pessoas, precisam amar pessoas, precisam ser apaixonados por pessoas, e para que isso possa acontecer este executivo, este líder ou este gestor precisa ser pessoa, e aqui parecerá um pleonasmo, mas não é… pessoa humanizada, pessoa que conhece o “cheiro” das outras pessoas, pessoa como o pastor que conhece o cheiro das suas ovelhas[iv]. Pessoa que reconhece ao mesmo tempo a fragilidade e a capacidade do ser humano. Pessoa que genuinamente se preocupa com o outro.
Processos somente são seguidos quando as pessoas envolvidas sabem a importância do ato que estão praticando e se sentem pertencentes. Metas só poderão ser atingidas com processos sendo executados de forma correta. E tudo isso depende das pessoas! É fundamental que um líder seja um apaixonado por pessoas, processos e metas, caso contrário se privilegiar apenas um aspecto, poderá se tornar um déspota, um tirano, um opressor, um dominador, e acabará por criar um ambiente tóxico, inviabilizando o propósito empresarial.
Todo ambiente empresarial está sujeito a riscos, mas ter em mente a correlação deste tripe entre pessoas, processos e metas, é a certeza de estar eliminando, mitigando ou na pior das hipóteses aceitando riscos calculados. É a garantia que uma empresa precisa para ter sucesso, para atravessar crises, para se tornar perene, para prosperar e não viver na sombra de passivos impactantes.
Dicas práticas para manter o equilíbrio entre pessoas, processos e metas:
- Ouvir mais que falar praticando a escuta ativa;
- Ter real interesse pelas pessoas através de empatia;
- Envolver a base, criando processos participativos, onde as opiniões são levadas em conta, aplicando as boas ideias recebidas;
- Contratar pessoas que entendam e se comprometam com o propósito da empresa;
- Simplificar processos;
- Explicar o porquê do processo;
- Estabelecer pequenas metas mensuráveis de forma objetiva;
- Estabelecer metas elevadas e atingíveis;
- Lembrar que o exemplo vem de cima;
- Comunicar de forma clara as metas;
- Não padronize as pessoas, cada um é um ser único;
- Dar liberdade de criação, incentivando a adaptabilidade de modos e não de princípios;
- Dar preferência a parceiros de negócios que compartilhem dos mesmos valores empresariais;
- Olhar por múltiplas lentes buscando uma visão de 360°;
- Ser convicto que a inteligência coletiva e diversa sempre será benéfica;
- Gerar um ambiente onde o erro possa fazer parte do aprendizado.
Um conselheiro consultivo tem o dever se estar muito atento a este tripe, não pode permitir que nenhum ponto se torne de maior importância que o outro, caso contrário, estará gerando um desiquilíbrio nos pontos de apoio e ajudará a construir um castelo de cartas, afinal:
- Pessoas sem processos fazem o que querem!
- Pessoas sem metas não sabem para onde vão!
- Processos sem pessoas não passam de papel!
- Metas sem processos e sem pessoas são ilusão!
- Qualquer meta é o mesmo que não ter nada!
Metas estabelecidas são metas comunicadas, m
[i] Lewis Carroll, Diálogo entre as personagens Alice e o gato Cheshire
[ii] Rodrigo Mariano, www.linkedin.com/in/rodrigosmarianooficial/, PFCC da Board Academy.
[iii] José Marello, bispo e santo católico, Pensamentos e Maximas
[iv] https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/september/documents/papa-francesco_20130919_convegno-nuovi-vescovi.html
