Não ter um ideal pessoal

Com o avanço da tecnologia temos cada vez mais recursos disponíveis em nossas mãos. Se precisamos fazer uma compra, não temos mais a necessidade de ir em algumas lojas para escolher o produto e depois comprar, assim como nem precisamos mais ir ao banco para sacar o dinheiro para pagar pela compra. Utilizamos aplicativos de rotas para ganhar tempo no caminho, bem como podemos pegar um Uber ao invés de usar um carro próprio.

Porém, controlar tudo que temos disponível em nossas mãos tem sido uma tarefa muito difícil. Nosso tempo é um recurso finito e temos a sensação de que cada vez menos conseguimos ter controle sobre ele. Para muitos, a solução para esse dilema está no firme controle das atividades, para outros, é apenas uma questão de priorização, enquanto que alguns ainda preferem o ‘deixa a vida me levar’. Mas o que de fato podemos fazer para reduzir essa sensação? Seria só uma questão de foco?

Pois bem, é como Lewis Carrol nos diz em Alice no país das Maravilhas: “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” Ou seja, a questão essencial não está nas nossas ações, mas na motivação e no propósito que se tem por trás delas. Se minha intenção é ser um excelente Social Media, passar horas em redes sociais está muito aderente, porém se eu fico horas em redes sociais tendo a intenção de ser aprovado em um concurso público, talvez essa ação já não seja tão coerente.

Quando falamos de motivação, falamos de algo que nos estimula, que nos dá a disposição necessária para assumir um novo comportamento. Enquanto que ao falarde propósito, nos referimos ao sentido, ao ‘porquê’ de buscarmos novos hábitos ou comportamentos. A motivação está no campo da emoção e o propósito está no campo da razão, pois dá senso de direção e nos permite traçar ações concretas visando suas realizações.

O senso de propósito é o que nos ajuda a sair das situações confusas, nebulosas, nas quais facilmente nos colocamos com tantos estímulos ao mesmo tempo. Sem ele, a busca pela realização dos sonhos fica muito difícil, pois ficamos muito suscetíveis a estímulos diversos e que nos desfocam totalmente. Ter um propósito claro é saber para onde se quer ir, mesmo que não se conheça o caminho, mas buscando informações, conhecimento e pessoas que possam ajudar.

Mas como fazer para encontrar esse propósito? Primeiro é preciso estar de coração aberto, pois se eu não estiver de coração aberto, vou simplesmente escolher um ponto que entendo ser importante a buscar e pronto. Crio uma expectativa em cima de uma ilusão e caio em uma armadilha feita por mim mesmo. Agora, se esse for seu interesse verdadeiro, precisa seguir alguns passos de autoconhecimento, já que identificar seu propósito é algo que acima de tudo deve fazer sentido para você mesmo. De maneira bem simplificada vou listar alguns pontos aqui, mas já aviso que é possível que você precise de uma ajuda no desenvolvimento, ok?

 

1º passo – Observar minha história de vida

Observando minha história familiar, pessoal, profissional o que consigo enxergar? Como é minha rotina, rotina da minha família, meu trabalho, estudos, se tenho amigos próximos, como tem sido minha vida e por aí vai…

 

2º passo – Identificar quais situações da minha história mais me marcaram

Ao pensar em fatos da minha vida, quais fatos me marcaram profundamente? Se não tenho fatos marcantes, quando penso em algo que influenciou muito o meu jeito de ser, o que me vem a mente?

 

3º passo – Reconhecer minhas principais qualidades e dificuldades

Quais são minhas principais características? Aqui é importante cuidar com a diferença entre como eu sou e o que desejo ser… Importante focar em como sou e quais adjetivos ajudam a descrever um pouco sobre minha pessoa

 

4º passo – Identificar com pessoas próximas o que mais se destaca em mim

Aproveitar as pessoas que tenho confiança para perguntar para elas como elas me vêem e quais características minhas que mais sobressaem. Nesse ponto, se ficar constrangido em perguntar diretamente, dá para mandar uma mensagem de texto explicando o que você está fazendo e pedir que respondam por mensagem mesmo. Ah, e não vale retrucar! Só vale agradecer pelo envio das respostas.

 

5º passo – Buscar os pontos de convergência entre os passos anteriores

Essa parte fica muito mais difícil ao tentar juntar tudo ao mesmo tempo. Por isso minha sugestão é simples: busque primeiro a convergência entre o primeiro e o segundo passo, depois faça com o terceiro e por fim com o quarto passo.

 

Seguidos os passos, há grandes chances de se chegar num propósito um pouco mais abrangente, mas que pode ser refinado a qualquer momento. Tendo um primeiro propósito de vida traçado, com o dia a dia será possível identificar as situações reais em que você verá se estão alinhadas ou desalinhadas com ele. Não se espante se, logo de início, ver que parte das coisas que tem feito, tem mais gerado perda de tempo do que ajudado a chegar a algum lugar.

Com o passar do tempo você verá que as coisas tem feito mais sentido do que antes. Viktor Frankl nos diz que “encontrar um propósito, descobrir o significado da nossa vida, é verdadeiramente transformador porque tudo muda, até nossa capacidade de enfrentar as adversidades. Tendo um ‘porquê’, é possível enfrentar todos os ‘como’, porque qualquer sofrimento se torna um desafio”.

E o que vem depois? A verdade é que quando menos percebemos, conseguimos ordenar melhor nossas ações, nossos trabalhos, conseguimos estar mais atentos às situações que ocorrem em nossa volta. Sejam elas boas ou nem tanto. Mas nos dá a chance de tomarmos decisões de forma mais consciente, envolvendo as pessoas que nos são importantes e respeitando as características daqueles que estão próximos.

No caso dos líderes e empreendedores, ter um propósito pessoal reflete diretamente nas decisões tomadas a frente dos negócios, pois quando este propósito está alinhado com os objetivos da empresa, consegue dar a clara direção aos empregados, mas quando não está, a empresa sofre como um todo. O desalinhamento ocorre, os processos e as pessoas sofrem, o desperdício de tempo impera e o dinheiro some!

 

Ricardo Wazen