Criado o futuro hoje.
Somente o planejamento estratégico é capaz de fornecer a visão, a compreensão, a clareza e a agilidade, para contrapor o mundo VUCA ou BANI. O mundo moderno apresenta uma nova cara para a empresa de sucesso, a migração do tamanho para velocidade.
Para que um planejamento estratégico seja eficiente e eficaz, muitas coisas precisam ser consideradas. Julgo como uma das principais os dados, que por si só não tem serventia, como todos já sabem, pois precisam ser transformados em informação e posteriormente em conhecimento, mas isso ainda é insuficiente… é menos da metade de caminho. O conhecimento precisa finalmente ser transformado em sabedoria.
A sabedoria é o norte do planejamento estratégico. Adquirir sabedoria leva tempo… literalmente anos… representado pelos “cabelos brancos”, que ainda não chegaram para as novas gerações que creem que podem resolver tudo sozinhos, como um “salvador da pátria”. A sabedoria traz consigo a certeza na qual decisões monocráticas são menos assertivas, pois se limitam a olhar o ambiente, a situação, o futuro, sobre uma única lente. A construção coletiva traz uma maior profundidade para respaldar uma tomada de decisão, a multidisciplinariedade desvenda pontos escondidos. A soma das partes é sempre maior que o todo, já afirmava Aristóteles. Das diferentes percepções se constrói um planejamento robusto, isso por si só, já justifica a criação e a importância de Conselhos!
Diogenes Lima[i] profetizou que “em 5 anos, as empresas brasileiras de capital aberto hoje obrigadas a terem Conselhos Administrativos, implantarão voluntariamente Conselhos Consultivos”. Enquanto um Conselho de Administração tem uma rigidez própria da sua missão, um ritual mais “engessado”, temas mais determinados para aprovação, o Conselho Consultivo tem a “liberdade” de exercer com maior fluidez a virtude da coragem. É como se um segurasse e o outro empurrasse, trazendo para o ambiente o equilíbrio de estar “distante tanto de uma rígida escravidão às formas como de uma arbitrariedade que não conhece formas”[ii], próprio da sabedoria.
A sabedoria bebendo do conhecimento e aliada a coragem, certamente trará o mix necessário para enfrentar qualquer transformação. A coragem isoladamente pode trazer algumas indigestões bem como o conhecimento isolado pode trazer inercia. Assim encontramos o tripé ideal para formação da sala do conselho: Conhecimento, Sabedoria e Coragem. Criar Conselhos com personagens diversos em gênero, idade, formação acadêmica, cultura, experiência de vida e elevada independência, é a base para construção de um planejamento estratégico de sucesso e consequente busca da imortalidade empresarial.
Embora os conselhos devam participar ativamente do planejamento estratégico, sua execução não está ao seu alcance… “olhe, mas não toque… toque, mas não prove…” é a grande sacada de Diogenes, deixando a dica para um conselheiro, principalmente se este já esteve sentado numa das cadeiras de C-Level (diretoria). A função de conselheiro é de recomendar, de sugerir, de motivar… mas jamais de executar, jamais de dirigir!
Um modelo usado pela Kraft Heins, divulgado pela Endeavor, tenta mapear todas as perguntas que influenciam diretamente o negócio e auxiliam no planejamento estratégico, dividindo o trabalho em três fases, que se interrelacionam continuamente, em um formato que chamo “espiral de aprofundamento”:
1 – Diagnóstico – Ouvir, entender e decifrar
2 – Planejamento – Organizar, construir e criar
3 – Implantação – Testar, lançar e ajustar
O conselho deve articular todas as condições para garantir que o planejamento estratégico não se torne rígido a ponto de travar a empresa, bem como não seja esquecido e deixe de ser o caminho pelo qual as ações serão conduzidas. Um conselho proativo olha pelo parabrisas e não pelo retrovisor, é a bússola e não o mapa rígido, é o agente de criação do futuro, é quem traz o futuro para hoje, apoiando a estruturação do planejamento estratégico, mas sem conduzir o veículo.
Com conhecimento, sabedoria e coragem, vamos criar o futuro hoje?
Alexandre Andre Rossi
[i] Por ocasião da excelente aula do programa PFCC, turma 12, da Board Academy.
[ii] Schoenstatt. Que és? Guillermo Carmona, p. 45
